O efectivo de renas e caribus está em queda vertiginosa por todo o mundo. A primeira análise global do seu estado revelou que as populações estão em queda em praticamente todos os locais onde vivem, do Alasca e Canadá, à Groenlândia, Escandinávia e Rússia.
Este icónico cervídeo é vital às populações indígenas que vivem na zona circumpolar norte mas é cada vez mais difícil para as rena sobreviverem num mundo aquecido pelas alterações climáticas e alterado pelo desenvolvimento industrial, dizem os cientistas.
As renas e os caribus pertencem à mesma espécie, Rangifer tarandus, mas os caribus vivem no Canadá, Alasca e Groenlândia, enquanto as renas vivem na Rússia, Noruega, Suécia e Finlândia.
Em todo mundo são reconhecidas sete subespécies, cada uma genética, morfológica e comportamentalmente um pouco diferente, ainda que todas capazes de se reproduzir entre si.
O efectivo de renas e caribus em todo o mundo: o vermelho no mapa revela locais onde as manadas estão em declínio, o verde locais onde as manadas estão a crescer e o cinzento escuro locais de onde não há dados. As zonas a cinzento claro são locais fora da distribuição geográfica habitual destas espécies. |
Estas diferenças entre as subespécies ditam a forma como cada subespécie está ser afectada pelo impacto humano.
Por exemplo, sabe-se que as populações do caribu da floresta no Canadá estão em declínio devido ao aumento da perturbação humana devida à exploração de madeira, petróleo e gás, e à construção de estradas, explica Liv Vors, da Universidade de Alberta em Edmonton, Canadá, mas agora começaram a chegar relatórios de que o efectivo de outras manadas também está ameaçado.
"Quando descobrirmos que muitas manadas de renas também estavam em declínio decidimos compilar um censo exaustivo para verificar se se tratava realmente de um problema global", diz Vors.
Vors Mark Boyce, da Universidade de Alberta, contactaram outros investigadores e analisaram a literatura publicada e bases de dados governamentais em busca de toda a informação que podiam encontrar sobre o efectivo de renas e caribus.
Compilaram dados sobre 58 manadas importantes por todo o hemisfério norte e ficaram chocados ao descobrir que 34 delas estavam em declínio e não havia dados sobre outras 16. Apenas oito das manadas estavam em crescimento e a maioria estava em declínio há mais de uma década.
"Ficámos surpreendidos com a ubiquidade do declínio", diz Vors. "Sabíamos que o caribu da floresta estava em mau estado na América do Norte, mais nada."
Também há evidências de flutuações nas populações de caribus migratórios no árctico canadiano na história recente mas os investigadores ficaram surpreendidos com a forma como o efectivo das renas e caribus migratórios parece estar a cair em sincronia por todo o hemisfério norte.
"Ficamos chocados com o facto de tantas manadas de renas europeias estarem em declínio pois esperávamos que estivessem em melhor forma que as americanas, especialmente as semi-domesticadas, pois são cuidadas de perto pelo Homem."
Descrição morfológica e habitual das renas
A rena apresenta dimorfismo sexual, sendo os machos de até 300 kg bastante maiores que as fêmeas. Ambos os sexos têm galhadas, que são mais elaboradas nos machos. As principais fontes de alimentação das renas são bambus, folhas de sempre-vivas, ervasrasteiras e principalmente líquenes. Este animais podem, no entanto, comer também pequenos pássaros e ovos. A rena tem dentes frontais apenas no maxilar inferior.Sazonalmente, migra grandes distâncias para parir as crias. Também pode nadar. Possui pernas compridas, com cascos afiados e patas peludas que garantem a tração sobre terrenos congelados. Geralmente, a rena é silenciosa, mas seus tendões produzem ruídos secos e agudos que podem ser ouvidos a grandes distâncias quando viaja em grandes grupos.
[editar] Predação e outras ameaças
A rena é predada por lobos, seres humanos e, surpreendentemente, por águias-douradas (ou águias-reais); os corvos por vezes causam cegueira em renas recém-nascidas, perfurando-lhes e comendo os seus olhos, causando a sua morte prematura. Vários tipos demosquitos e moscas, como a mosca preta parasítica Hypoderma bovis, podem molestá-las o suficiente para afetar a sua saúde e causar doenças.A rena é bastante importante na economia das populações nativas do Ártico como os povosinuit e os habitantes da Lapónia. Estes povos domesticaram a rena como fonte de alimento e de peles e animal de tração. Para além das manadas domésticas, as renas são também caçadas nalguns locais pelos mesmos motivos.
[editar] Renas naturalizadas no Hemisfério Sul
Se o habitat destes animais tem sofrido grandes reduções nos últimos séculos, sobretudo devido a explosão do número de habitantes humanos por todo o Hemisfério Norte, houve um minúsculo mas curioso aumento territorial em seu favor.Ocorreu que algumas renas naturais da Noruega foram introduzidas na ilha de Geórgia do Sul, no Atlântico Sul, por volta do início do século vinte, quando pescadores noruegueses ali haviam conduzido suas operações baleeiras.
Atualmente existem dois grupos distintos destes animais naturalizados nesta ilha, porém estes dois rebanhos estão permanentemente separados por montanhas. Seu número total não passa de umas duas ou três mil cabeças. (A bandeira e o brasão das Ilhas Geórgia do Sul e Sandwich do Sul, que juntas formam um dos territórios oficiais do Reino Unido, possuem uma imagem de um destes veados rangíferos bem em seu topo).
Igualmente, a espécie R. tarandus também foi introduzida, em 1950, em algumas ilhas do arquipélago de Ilhas Kerguelen, um minúsculo território ultramarino da França, localizado bem afastado em meio ao Atlântico Sul, entre o sul da África, a Austrália e a Antártida. Após algum tempo, todos os animais existentes no arquipélago migraram para a sua ilha principal, que é bem maior do que todas as outras.
A presença do R. tarandus é considerada problemática pois é uma das piores pragas introduzidas por causa de sua agressiva interferência na ecologia natural da ilha. A ilha é constantemente batida por ventos fortes e gélidos e possui uma fauna e uma flora bastante especializada e vulnerável; há um número baixíssimo de habitantes humanos que permanecem na ilha. Neste contexto, as renas da ilha são caçadas pelos habitante locais.
Ambas estas populações do Hemisfério Sul (da Geórgia do Sul e de Ilhas Kerguelen) vêm sendo objeto de observações e de pesquisas científicas já desde antes da virada do milênio.
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